BIENNALE DI VENEZIA '80

DESENHO é planejamento e recolhimento de material bruto recolhido e posto em estado bruto: segundo vergara é memória e projeção: o cigarro que queima fumaça de cor expressionista que acaba no desenho como foto-decalque da infância: um outro q já projeta decalque de foto-CARNAVAL: anotação e antecipação: cerne-espinha do q vem a explodir em seguida em forma de projetos maiores: não considerá-los por isso mesmo menores:
continuarão a emergir e o devem:
pre-vêem:

os superdesenhos crescem das caixas-estruturas-cenários caligarianos: espalham-se pelo chão, desenham-se-recortam-se: folhagens de papel barato: moitam-se-desgarram-se: invadem, por seu turno, o ambiente - colher os cantos-recantos brasis que os teóricos academizantes não conseguem: brasil sensível, não cultural – tudo terá que desembocar fatalmente em estruturas mais gerais, em proposições que crescem em ambição: em algo que seja mais importante que galerias e museus: que prescinda delas para a sobrevivência – a consciência de que essa face pra ser face, deva ser exportável, assim como o fizeram os americanos (warhol, p. ex., mais do que oldenburg que se resume mais a uma “imagem-america – warhol realmente criou o que se poderia se chamar de face-america) – tirar do saco o que deve ser tirado, o que interessa – vergara quer ser a consciência vigilante dessas instân (cias) (tes) mas geral que a moda e a forma: o lugar e o tempo, só cabem a ele construir: e ambos são fundamentais aqui: a busca do tempo-lugar perdidos no subdesenvolvimento-selva: as perguntas, as respostas, as questões: validade delas: de onde abordar a conceituação de valor? Nem a “arte” nem a “cultura” importam aqui: muito mais: o comportamento como uma forma viva das opções criativas – vivatuante, vigilante: uma consciência.

vergara quer construir em bloco uma instância: um instante brasil – a face – mesmo que para isso tenha que se apegar aos restos, às proposições antigas, que aparecem aqui para formar este bloco: sua facilidade em desenhar, em decorar, recortar, enriquecer o ambiente etc; não interessam aqui coisas como “mensagens” anedóticas, sem eficácia: a ambição de criar este bloco-face brasil absorvendo tudo, deixando de lado certos pudores esteticistas; nisso reside sua coerência: e ao final, sem sobras

a cabeça
a máscara: o recorte da cabeça q está em aberto pra receber a máscara
mascarar-se: escolher identidade.

Hélio Oiticica

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